PINTURAS RUPESTRES, 2025

Pigmentos naturais, tinta acrílica, tinta relevo, grafite, carvão e madeira

A partir da iconografia das pinturas de mãos ou impressões de mãos em paredes rochosas, inscrições gravadas em diferentes territórios e latitudes, criamos dois murais. O mural preto e branco, a caverna-mão, foi o resultado de vislumbrarmos uma caverna cuja entrada tivesse a forma da palma da mão e ali criamos estalactites, além de um rio que deságua no espaço expositivo. O outro mural, Table-Turning Sun faz referências às mesas espíritas do século XIX e é o resultado de uma colagem com desenhos gráficos de distintos murais rupestres da Chapada Diamantina. Este trabalho dispõe de página específica em nosso site com mais detalhes sobre a sua criação e produção.

Em outra parede, trabalhamos com carvão, fuligem, tinta acrílica e lenha em uma nova série de quatro pinturas que traz as figuras da mão, do fogo, da árvore e do espírito humano. Um estudo para uma futura instalação de maior escala, na qual temos o desejo de colaborar com poetas que criarão uma peça literária que será consumida parcialmente pelo fogo e reproduzida de modo fragmentado nas lenhas da instalação.

Na parede da cozinha do estúdio, apresentamos o mural ¡Escuchame papi!, feito com tinta acrílica e tinta relevo, e que traz a gramática das águas do Rio Laranjeiras, em Igatu, um rio cujas espumas de origem orgânica mudam constantemente de forma, ora revelando geometrias, ora produzindo letras, numa dança que parece ambicionar um diálogo com os visitantes que admiram a beleza obsidiana das águas que as carregam.

E por último, o painel Trama Matriarcal, desenhos a lápis de tramas inspiradas nos desenhos gráficos criados a partir do consumo da ayahuasca. Um exercício de criação de linhas, que formam cordas e tramas, tecidas com a repetição de um único desenho, o de uma criança recém-nascida.

Estes trabalhos foram produzidos durante a nossa residência no programa Pinturas Rupestres da fundação/op.cit., uma organização sem fins lucrativos que trabalha com formatos experimentais da arte contemporânea com o objetivo de expandir o contexto de práticas artísticas da Cidade do México. E que tem por missão o fortalecimento dos laços entre as comunidades artísticas nacionais e internacionais, aproximando novos públicos por meio de espaços de encontro, convivência, aprendizado e diálogo. A particularidade do programa Pinturas Rupestres, ativo desde 2023, é permitir que cada artista convidado trabalhe a partir de suas próprias práticas e pesquisas pictóricas, utilizando os suportes com os quais costuma trabalhar, para aplicá-los diretamente nas paredes da residência, previamente preparadas com uma técnica de restauro desenvolvida especialmente para o projeto. Tal técnica permite a remoção da camada mais externa de todas as superfícies do espaço e que, ao final da estadia de cada artista, permitirá que as obras realizadas sejam preservadas e integrem o arquivo da instituição, possibilitando, inclusive, a futura circulação dessas produções.

As imagens são cortesia da  Fundación op.cit. e a autora é Priscila Victoria.

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